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terça-feira, 2 de agosto de 2011

O blog

Acho que estava louco quando me deixei induzir pelo Edison Bidone e pelo Tiago Meirelles a colocar no ar (no ar?) este blog. Criado o monstro, cumpre alimentá-lo. Escritor de gaveta, trabalho ao acaso, dois romances em andamento, os dois parados. Poemas escritos ao longo da vida e ao longo dela extraviados. De vez em quando me deparo com um, esquecido dentro de um livro, recorte do saudoso Caderno de Sábado do antigo Correio do Povo. Agora não, há um blog no ar, gente freqüentando e... dizer o quê?

Aos sábados tem o Visão Geral com o Muza . É outra coisa. Ali, agrademos ou não, o fato é que a gente se diverte. São charlas descontraídas para as quais não nos preparamos e o que se diz é lastreado na vida. Muza é um grande âncora, sabe como ninguém evitar o “buraco” e em qualquer emergência ele manda botar um samba ou chama os comerciais. Na verdade isso não acontece porque nosso foco principal é a corrupção reinante e, como se sabe, essa é cacimba que não seca.

Mas aqui é outro papo. Trata-se de coisa escrita e pela primeira vez vivo a experiência de produzir para consumo imediato. Estou acostumado a trabalhar textos como quem faz um mosaico. Peça a peça, buscando o melhor encaixe. Ou como quem semeia flores num canteiro. Tempo depois se arrancam os inços e o canteiro melhora em luz, espaço, viço. Mas aqui é emparelhar e soltar como em carreiras de reta.

Assunto que puxa assunto, a ligação às vezes só Freud explicaria, ocorre- me que há no ar um processo de descaracterização de nossa, ia dizer cultura, mas desisto. Essa e outras palavras foram inutilizadas pela “inteligentzia” dominante. Essa é uma vertente que me faz abandonar o que ia dizendo para um desabafo anti-infarto.

Nunca em suas vidas Stanislaw Ponte Preta e o imortal Nelson Rodrigues puderam imaginar que o mar de chavões que nos ameaçava chegaria a isto. Ondão sinistro, mar de mediocridade assassina. Políticas públicas (as há privadas?), construção de projetos, sociedade como um todo, alavancar, passar energia, elite dominante.

Outro viés que assusta é a elevação da notoriedade à condição de bem absoluto. De repente alguém que se tornou conhecido por ter devorado olhos de ovelhas em um desses espetáculos doentes de televisão, transforma-se em emblema e passa a vender a imagem para ser associada a produtos.

Fatos como este nos colocam no limite da suportabilidade. A coisa enfeia de vez se, numa hora dessas, surgir algum desses meninos laureados em publicidade e marketing e tenta lhe explicar, usando a ferramenta da contextualização, que isso é algo normal e positivo. Aí você sente brotar em suas entranhas um furor assassino e sai em disparada rumo ao mato, fugindo de si mesmo. Isto é um papo sem fim. Retomaremos.

Um comentário:

  1. Postei um comentário prezado João Bosco Abero mas devo ter cometido uma barbeiragem ao enviar pois não aparece.
    Desde o tempo que existia a CICADE que o acompanho no Visão Geral do meu amigo Edgar Abip Muza.
    Plagiando o "Altas Horas" do Serginho Groisman, o "Visão Geral" aos sábados com a sua presença é "vida inteligente ao meio-dia", é claro, com concordâncias e discordâncias de seus comentários que ao abordarem as aberrações e roubos dos políticos do nosso país, por vezes me divertem, por exemplo quando o sr e o Muza usam "LA REPARTIJA" ao comentar a ladroagem dos quadrilheiros.
    Bueno, espero conseguir enviar agora.
    Parabéns pelo blog e um fraterno abraço

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