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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

PANORAMA SOMBRIO

“Perco o ônibus e a esperança. Volto pálido para casa.” São versos de Drummond, límpidos e impactantes, com a marca do mestre. Todas as perdas nos deprimem, mas a da esperança nos destrói. E esse sentimento que se confunde com a vida, com o ar, com o pão cotidiano nunca fez tanta falta como nestes dias de sombra e de cinza.

Internamente a luta penosa contra um oficialismo irreverente que se apropria do poder e rouba tudo quanto não desperdiça. Compra lideranças e as põe a grasnar uma ladainha de jargões que a todas iguala na mediocridade. Enquanto isso o povo é entregue inerme à adversidade, sem hospital que o socorra, polícia que o proteja, escola que o ilumine.

O governo que por nada no mundo admite conter a gastança torrencial de sua máquina, voltada para a própria perpetuação, emite títulos com juros de 12,5% ao ano. Parte dessa captação é desperdiçada, parte emprestada a empresas escolhidas, a juros de 4%, parte vai para a formação de reservas que assegurem o pagamento dos juros da dívida. Dinheiro captado a juros altíssimos para pagar juros acumulados. A dívida cresce num ritmo alucinado, beirando já os dois trilhões de reais.

Pior: a taxa oferecida nos títulos da dívida da União provoca inundação de dólares no mercado financeiro de que resulta a valorização indesejada do real. Como conseqüência perdemos competitividade nas exportações.

Mentem os ministros. Um nos diz que vai conter a queda do dólar diminuindo o glamour de nosso mercado financeiro de dez para oito. Que o fizesse para seis, para quatro, e seria inócuo. Na praça global o juro é zero. Ignora o ministro esta obviedade? Como não lhe faço esse desfavor, concluo que mente.

Cai a produção industrial e a balança comercial acusa decréscimo de 30% em um mês. Isto se deve a que os preços das matérias primas que estavam anomalamente majoradas despencam, refletindo a retração da economia na Europa e nos Estados Unidos. O governo sonega esta realidade trombeteando o saldo favorável apurado em um ano.

Nos marcos de tão dura realidade onde fica a esperança? Na força da democracia, em nós, na imprensa livre, na pressão popular que em curto prazo se tornará visível nas ruas, tão pronto como o povo desperte do engodo a que o induziu o populismo reinante. Este conjunto de forças, e somente ele, imporá um processo de regeneração que nos livre de tantos flagelos.

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