Em seu monumental Guerra e Paz, Tolstoi demonstra cabalmente que nunca uma batalha de Napoleão, vitoriosa ou perdida, correspondeu ao que fora por ele planejado. Os generais e comandantes da linha de frente, à base do que tiveram que decidir no fragor, foram os efetivos condutores da luta.
Na guerra, como na política, a ação dos indivíduos, por importante que seja, não pode ser elevada a condição de elemento predominante. Isto porque ela se insere em um processo rico, complexo, onde estão presentes inúmeros fatores de ordem objetiva, como os econômicos, e subjetiva como a opinião pública. Se por um lado os protagonistas influem nesse processo, não é menos verdade que, em maior grau, sofrem sua influência.
Daí que nada mais infantil do que comparar-se o jogo político ao do xadrez. A comparação só teria sentido se as peças do tabuleiro caminhassem sozinhas. No tabuleiro da vida onde se fere o jogo político peças e casas mudam de lugar a cada momento.
A comparação com o xadrez conduz ao mito do grande homem. Aquele que vai gerir a coisa pública para nós sem que precisemos nos preocupar. Ele é sábio e saberá escolher os melhores, ele é o mestre dos grandes lances. Eis a fonte de nossas misérias e calamidades. Getulismo, peronismo, chavismo, castrismo, stalinismo, nascem daí. Onde a vida é melhor, mais proteína e liberdade, tais mitos não prosperam. Churchil emergiu da guerra como líder inconteste da epopéia do povo inglês. Coberto de glória disputou as eleições após a vitória. Perdeu para o desconhecido Clement Atlee, líder trabalhista. O povo inglês não gosta de mitos.
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