A implosão da associação criminosa que, por artes do demônio, ganhou entre nós o nome de Pacto Pela Governabilidade, era previsível. Arrastou-se até aqui por força do atraso político de nossa sociedade.
O povo a apóia porque confunde o acanhado bem-estar que lhe trouxe o avanço da economia com a ação do governo; a classe empresarial porque agradece reverente o dinheiro fácil, sem indagar de onde procede; os movimentos sociais porque lhes é alcançado o recurso para que agitem as mais bizarras bandeiras num carnaval ruidoso e estéril; a intelectualidade porque lhes são alcançados meios e recursos para fazer festerê e impor uma cosmovisão totalmente divorciada da percepção geral; a classe política porque lhe é propiciada a farra dos ministérios de porteira fechada, de fartas emendas paroquiais e de um oceano de cargos para distribuir.
Dinheiro não aceita desaforo diz o sábio provérbio. Fácil inferir que nem a astronômica carga tributária recolhida, nem a dinheirama tomada mediante a venda de títulos, pagando juros desconhecidos no mundo, seriam suficientes para bancar essa orgia. A Imprensa, o clamor da parte não contaminada da opinião pública, foi suficiente para furar a bolha que a longo prazo acabaria por estourar espontaneamente.
O processo saneador descansa em causas objetivas a determinar violenta e irreversível rejeição do modelo anacrônico. Por isso não se vislumbra a possibilidade de ser conduzida a superação dessa crise de forma gradual e ordenada. Não tem meios a presidência da república de ir apagando os focos de incêndio um a um, buscando preservar a sobrevivência do modelo maldito. A regeneração passa por uma comoção nacional que quebre a resistência palaciana ao aprofundamento das investigações. Ela virá e com ela o fim da ilusão continuista.
Em tempo: neste instante um jornal televisivo dá notícia de que a polícia federal efetuou 38 prisões de funcionários ligados ao Ministério do Turismo. Entre eles o secretário do ministro. Qualquer ligação com corpo da matéria acima pode ser mera coincidência?
Dr. Abero, a coisa vai de cabo a rabo, o que se vê, ninguem se escapa, é como se diz la na Mina, estamos no mato sem cachorro, estes gulosos vão se empanturrar! Cadeia para eles, é o que queremos, será... Um abraço.
ResponderExcluirMarinho.