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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

CARTILHA FILOSÓFICA (continuação)



SÓCRATES (469/399 a. C.)




Sem que tenha deixado obra escrita, conhecido apenas pelo que sobre ele escreveu Platão, Sócrates é tido, por critérios a nosso ver nem tão pacíficos, como fundador da filosofia ocidental.
Sua maior contribuição foi a de ter ampliado o campo da especulação filosófica, para que dele fizessem parte questões de ética, de moral, de bem, mal, sentido da existência, enfim, retirou a filosofia de um círculo estreito que só cuidava da origem do universo.
De grande relevância também a contribuição de Sócrates para o desenvolvimento do método de abordagem das questões filosóficas, coisa que, vale repetir, deduz-se do que relatou Platão em várias de suas obras. Nelas narra-se como Sócrates expunha seu pensamento por meio de diálogos que travava com discípulos. Ali se evidencia que o filósofo já dominava princípios de lógica que somente mais tarde seriam sistematizados por Aristóteles no clássico Organon.
Por meio de uma cadeia de perguntas, que cumprem o papel de premissas, Sócrates vai encaminhando as respostas para um final irrecusável. Fazer aflorar a conclusão na mente de seu interlocutor foi por Sócrates comparado a um parto, maiêutica em grego.
A denominação de Método Dialético em Sócrates, embora adequada, tendo em vista o emprego de diálogos, traz o inconveniente de gerar confusão com o sentido que veio a dar o marxismo ao termo dialético. É que em Hegel, e depois em Marx, dialética tem raízes em Heráclito, em sua teoria do desenvolvimento, da contradição imanente às coisas e fenômenos, do movimento constante, nada tendo a ver com a visão socrática. Sócrates transforma-se no marco inicial da divisão que passa a dominar a filosofia até os dias atuais: idealismo versus materialismo.
Registre-se que o termo idealismo, no âmbito filosófico, prende-se ao radical ideia nada tendo a ver com o sentido de ideal. Por idealismo, aqui, entende-se que a ideia é o dado primário do real, a força motriz e matriz das coisas que existem. Por outras palavras: é a ideia que dá origem à coisa e não a coisa que dá origem à ideia.
Tal entendimento será analisado com mais vagar quando nos detivermos em Platão que é quem realmente explana, em sua obra, os fundamentos do idealismo.


CRISE



Quando se expandem os meios de pagamento à medida que decresce o Produto Interno Bruto, há crise a vista de qualquer profano. Não se requer nenhum conhecimento de economia, rudimentar que seja, para perceber que semelhante modelo é perfeitamente comparável a depósito de que só se tira sem nada repor.

É claro que no meio social, o aumento do volume de dinheiro, perseguido e posto em prática pelo Governo, provoca falsa sensação de bem estar e incremento não sustentável de alguns ramos da economia. Aumenta a atividade comercial e surgem novas inserções na área de serviços. Isto é feito por meio de isenção de tributos, facilitação de crédito, subsídios a produtos e serviços, tipo gasolina, luz e transportes. Por igual, a pródiga distribuição de cargos e funções concorre para aumentar a massa salarial, agravando assim o viés insustentável da atividade econômica.

Primária também a compreensão de que o bem estar, a abundância de dinheiro, a facilidade de aquisição dos bens, hoje, como nos primórdios da civilização, deverá descansar, fatalmente, na base infraestrutural da sociedade, assim entendida educação, saúde, segurança, transportes, agricultura, indústria, estradas, portos, ferrovias, aeroportos, energia, companhias mineradoras, enfim, tudo o que se vem a constituir em lastro para o desenvolvimento. Fora disto, o que pode existir é uma euforia, como a do carnaval, pra tudo terminar na quarta-feira.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O DELÍRIO



A presidente da república inaugurou em S. Vitória da Conquista 1750 casas, das quais cerca de mil sem água e sem luz. Não estivesse a sociedade brasileira muito doente, acometida de uma frouxidão em que se misturam desânimo e leniência, a alucinada inauguração teria provocado uma convulsão social.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

NEM SEI O QUE LHES DIGA

Coisas há tão disparatadas, tão faltas de sentido e de decoro, que se torna difícil abordá-las.  É o caso da sacada da presidente Dilma quando mandou seus rivais Aécio, Eduardo e Marina Silva que fossem estudar. É crível?
Dilma foi educada para a política por um analfabeto. Não conseguiu assimilar sequer as rudimentares lições de malandragem que o ruidoso mestre tentou lhe passar. Agora, a outros, que intelectualmente lhe estão muito a frente, recomenda o que nunca fez.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

CARTILHA FILOSÓFICA (continuação)



            Demócrito (460/370 a. C.) e Leucipo (data incerta)


Com estes nomes encerramos a resenha de filósofos pré-socráticos. Com justiça Demócrito e Leucipo considerados geniais, eis que, com antecipação de aproximadamente 2400 anos, formularam os princípios da teoria atômica. Não há certeza sobre qual dos dois é o criador, mas os escritos, onde a teoria vem exposta, devem-se a Demócrito.
Sustentavam que o universo era formado de partículas indivisíveis (átomos em grego) que se deslocavam no vazio e de cujo entrechoque resultava a formação de corpos.
A física moderna deu pela divisibilidade do átomo. Isto, contudo, não contradiz a tese de Demócrito, visto subsistir a possibilidade de que existam sub-partículas indivisíveis. Ademais, a simples concepção da teoria em tão remota era já coloca a dupla de pensadores na condição de gênios.
Em linha gerais, conclui-se que, à exceção de Pitágoras, os pré-socráticos eram predominantemente materialistas em suas concepções. Isto porque retiravam da esfera dos mitos e da religião a origem das coisas e dos fenômenos, para buscá-la na observação direta, baseada nos sentidos e na experimentação.

domingo, 13 de outubro de 2013

RIFIFI CHEZ ENEMY



O sentido dessa frase que inspirou o clássico policial, intitulado Rififi chez les hommes, do diretor americano Jules Dassin, vem a ser, salvo engano meu, tumulto no campo do inimigo e teria inspiração militar. Ainda salvo engano, era muito usada por De Gaulle ao recomendar que se procurasse semear a discórdia entre as hordas nazistas na França ocupada.
Ocorre-me a frase título em função do que está por acontecer entre os condenados do mensalão. Como hoje é de todos sabido, o lulopetismo instituiu sólida aliança entre governo e larápios de colarinho branco, empreiteiros, banqueiros e trambiqueiros de alto voo com grande expertise em lavagem e traficância de dinheiro. Eis que a societas sceleris[1] não era tão sólida como parecia. A cana que está por vir não será distribuída com equidade. Parece que recairá de forma mais benigna sobre os políticos do que sobre os sócios destituídos de múnus[2].
Se isso acontecer, sérias serão as consequências para a sobrevivência do esquema. Além da inutilização da “máquina”, uma torrente de delações deve ser esperada. A dimensão do estrago é difícil de ser avaliada.


[1] Associação de criminosos; bando; quadrilha.
[2] Obrigação que deve ser feita por alguém; as funções realizadas por um indivíduo; tarefa ou trabalho.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

CARTILHA FILOSÓFICA (continuação)

 Protágoras (480 /410 a.C.)


Quando Protágoras diz: “o homem é a medida de todas as coisas” não se entenda queira ele dizer que o homem é o fato ou o fenômeno central do universo. O que ele efetivamente  expressou foi um ponto de vista relativista, pelo qual todo o juízo reflete simplesmente a impressão do homem que o emite, sem que se lhe possa atribuir peso de verdade. Assim, o que é verdade para A, pode ser mentira para B, bom para C, mau para D.
Na era de Péricles, quando viveu Protágoras, apogeu da democracia Ateniense, o acatamento às leis era muito cultuado. Por isso quem não se sentia capaz de produzir sua própria defesa, na eventualidade de ser processado, podia valer-se de um defensor contratado. Protágoras ganhou grande renome realizando defesas bem como ensinando discípulos a sustentarem polêmicas, qualquer que fosse a tese escolhida. Eram chamados de sofistas, palavra que significa algo como sábios. Tanto Sócrates como Platão, mais tarde, teceram severa crítica aos sofistas por quem nutriam grande desprezo. Aristóteles chamava-os de “sábios de uma sabedoria imaginária.”