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segunda-feira, 11 de maio de 2015

FUNERAL


Leio que Dilma convoca Renan para “convencê-lo” a apoiar a indicação de Fachin para vaga no STF. O conciliábulo ocorreria no avião presidencial que levará a mandatária para as exéquias do ilustre senador catarinense Luiz Henrique da Silveira. Talvez não saibam os negociadores que vão para o velório portando no avião outro defunto: a honorabilidade do Senado.

O BONÉ


Há algo muito errado em tudo isso. Uma coisa é uma ação penal, outra, de natureza similar, mas diversa, é um julgamento político. Buscam-se provas para incriminar a cúpula do governo nas penas previstas no ordenamento para os crimes de responsabilidade imputáveis aos governantes. Já no que diz respeito ao sentimento popular, vige em sua plenitude a construção lógica de Aristóteles, conhecida como redução ao absurdo: se a causa de determinada coisa não for esta, esta coisa não terá causa. Se Lula, Dilma e outros jerarcas que os cercavam, não são responsáveis pelo mensalão e pelo petrolão, impõe-se o absurdo: estes mega escândalos não têm causa.
É por esse motivo, e não por outro, que nas democracias avançadas o governante que perde o respaldo popular pede o boné e se manda. É concebível alguém governar um país quando já não pode assomar à rua sem que um panelaço lhe desabe sobre a cabeça?

ATÉ DESTAS PEDRAS

Há na bíblia registro de uma prédica de João Batista em que ele vitupera a soberba dos que se gabavam da descendência de Abraão. Não presumais de vós mesmos, dizia o profeta, porque eu vos digo que até destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão.
De forma um tanto profana, reporto-me ao texto bíblico para dizer aos que desanimam ante a fraqueza, quando não ausência, de nossas oposições face os sucessivos truques palacianos para dar sobrevida à corrupção: não se preocupem. Até destas pedras a onda saneadora que emerge da nação suscitará líderes suficientes.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

CURTÍSSIMA

Dilma disse que faria o diabo para ganhar. E fez.

O ESMERIL


A crise opera como um esmeril. Todo o partido, corrente ou facção que com ela se atritar sofrerá desgaste mortal. O PT já chegou a um ponto sem retorno. O PMDB candidata-se a um mesmo fim. Cabia ao partido de Ulisses montar no cavalo que passa encilhado, mas os anos de sociedade que celebrou com a seita mensaleira lhe engessam os braços. Renan, Jucá, Temer et reliqua, incapazes de compreender minimamente o que se passa, aspiram, muito mais do que enfrentar os problemas, a herdar o espólio do vencido PT. Sinistro restauracionismo que os leve a ocupar a casa do inquilino expulso, sem mexer em nada, quando muito um calcrin na fachada.
Abre-se assim uma janela para que a oposição, PSDB, DEM, PPS, PSB, SD, não sei se omito alguma sigla, formem bloco capaz de captar a energia que se desata do complexo povo-instituições a clamar por uma nação moderna.
Sem que me arvore em profeta ou cientista político, atrevo-me a dizer que a trilha é simples: impregnar a coisa pública de transparência e lisura. Colocar em máxima tensão os mecanismos existentes para só depois, sobre o lastro obtido através da aceitação popular, pensar em inovações e aprimoramentos.

DILEMA


Quando alguém diz que se deve ao PT o combate à corrupção, de duas uma: trata-se de um idiota fundamental, ou tem como alvo um fundamental idiota.

terça-feira, 5 de maio de 2015

DA CRÍTICA VÃ


Inimigos declarados do capitalismo, a quem pouquíssimos ouvem, incomodam pouco. Penoso é ouvir a arenga de certos intelectuais sedizentes neutros. Com base nas mazelas inerentes ao sistema, cuja intensidade é maior no mundo subdesenvolvido, expandem ideias que socavam a livre iniciativa e, por consequência, a ordem democrática.
Assumem um ar superior, próprio de quem vem de longe, de quem fala ex cathedra, vagamente enfastiados, tudo a realçar equidistância dos esquerdinhas porraloucas e dos coxinhas caviar. O que dizem ou escrevem tem menos valor que a lã das cabras. Como se um anatomista apontasse como falha no corpo humano a ausência de asas.