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sábado, 13 de agosto de 2011

Novos Protagonistas

O movimento dos policiais e agentes de segurança pela obtenção de um piso salarial prenuncia cadeia de reivindicações, dos mais diversos segmentos, por melhorias salariais e de condições de trabalho. São pleitos legítimos que jaziam latentes sob a capa opressiva das direções apelegadas de sindicatos e associações. A capa se esgarça, se enfraquece, entre outras razões pelo desfazimento da ilusão de fartura que reinava, porque o mundo era rico e o dinheiro fácil.

Policiais, bombeiros e agentes de segurança estão mobilizados. Como convencê-los de que não há dinheiro para o que pedem e há para financiar estádios? Para a compra de jatos a um preço bilionário? Para sustentar 37 ministérios, a maioria inútil? Para manter ONGs bandidas, bichos de quatro bocas a devorar sem trégua o paiol do Tesouro? Sem falar da corrupção que assusta, do desperdício que aniquila.

O povo virá para as ruas e praças para juntar-se à Imprensa e aos indignados. Haverá força para impor a verdadeira faxina. A que envolve os chefes, a que apura e pune.


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Mitos sempre mitos.

Em seu monumental Guerra e Paz, Tolstoi demonstra cabalmente que nunca uma batalha de Napoleão, vitoriosa ou perdida, correspondeu ao que fora por ele planejado. Os generais e comandantes da linha de frente, à base do que tiveram que decidir no fragor, foram os efetivos condutores da luta.

Na guerra, como na política, a ação dos indivíduos, por importante que seja, não pode ser elevada a condição de elemento predominante. Isto porque ela se insere em um processo rico, complexo, onde estão presentes inúmeros fatores de ordem objetiva, como os econômicos, e subjetiva como a opinião pública. Se por um lado os protagonistas influem nesse processo, não é menos verdade que, em maior grau, sofrem sua influência.

Daí que nada mais infantil do que comparar-se o jogo político ao do xadrez. A comparação só teria sentido se as peças do tabuleiro caminhassem sozinhas. No tabuleiro da vida onde se fere o jogo político peças e casas mudam de lugar a cada momento.

A comparação com o xadrez conduz ao mito do grande homem. Aquele que vai gerir a coisa pública para nós sem que precisemos nos preocupar. Ele é sábio e saberá escolher os melhores, ele é o mestre dos grandes lances. Eis a fonte de nossas misérias e calamidades. Getulismo, peronismo, chavismo, castrismo, stalinismo, nascem daí. Onde a vida é melhor, mais proteína e liberdade, tais mitos não prosperam. Churchil emergiu da guerra como líder inconteste da epopéia do povo inglês. Coberto de glória disputou as eleições após a vitória. Perdeu para o desconhecido Clement Atlee, líder trabalhista. O povo inglês não gosta de mitos.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

ILUSÕES PERDIDAS


A implosão da associação criminosa que, por artes do demônio, ganhou entre nós o nome de Pacto Pela Governabilidade, era previsível. Arrastou-se até aqui por força do atraso político de nossa sociedade.

O povo a apóia porque confunde o acanhado bem-estar que lhe trouxe o avanço da economia com a ação do governo; a classe empresarial porque agradece reverente o dinheiro fácil, sem indagar de onde procede; os movimentos sociais porque lhes é alcançado o recurso para que agitem as mais bizarras bandeiras num carnaval ruidoso e estéril; a intelectualidade porque lhes são alcançados meios e recursos para fazer festerê e impor uma cosmovisão totalmente divorciada da percepção geral; a classe política porque lhe é propiciada a farra dos ministérios de porteira fechada, de fartas emendas paroquiais e de um oceano de cargos para distribuir.

Dinheiro não aceita desaforo diz o sábio provérbio. Fácil inferir que nem a astronômica carga tributária recolhida, nem a dinheirama tomada mediante a venda de títulos, pagando juros desconhecidos no mundo, seriam suficientes para bancar essa orgia. A Imprensa, o clamor da parte não contaminada da opinião pública, foi suficiente para furar a bolha que a longo prazo acabaria por estourar espontaneamente.

O processo saneador descansa em causas objetivas a determinar violenta e irreversível rejeição do modelo anacrônico. Por isso não se vislumbra a possibilidade de ser conduzida a superação dessa crise de forma gradual e ordenada. Não tem meios a presidência da república de ir apagando os focos de incêndio um a um, buscando preservar a sobrevivência do modelo maldito. A regeneração passa por uma comoção nacional que quebre a resistência palaciana ao aprofundamento das investigações. Ela virá e com ela o fim da ilusão continuista.

Em tempo: neste instante um jornal televisivo dá notícia de que a polícia federal efetuou 38 prisões de funcionários ligados ao Ministério do Turismo. Entre eles o secretário do ministro. Qualquer ligação com corpo da matéria acima pode ser mera coincidência?

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

PANORAMA SOMBRIO

“Perco o ônibus e a esperança. Volto pálido para casa.” São versos de Drummond, límpidos e impactantes, com a marca do mestre. Todas as perdas nos deprimem, mas a da esperança nos destrói. E esse sentimento que se confunde com a vida, com o ar, com o pão cotidiano nunca fez tanta falta como nestes dias de sombra e de cinza.

Internamente a luta penosa contra um oficialismo irreverente que se apropria do poder e rouba tudo quanto não desperdiça. Compra lideranças e as põe a grasnar uma ladainha de jargões que a todas iguala na mediocridade. Enquanto isso o povo é entregue inerme à adversidade, sem hospital que o socorra, polícia que o proteja, escola que o ilumine.

O governo que por nada no mundo admite conter a gastança torrencial de sua máquina, voltada para a própria perpetuação, emite títulos com juros de 12,5% ao ano. Parte dessa captação é desperdiçada, parte emprestada a empresas escolhidas, a juros de 4%, parte vai para a formação de reservas que assegurem o pagamento dos juros da dívida. Dinheiro captado a juros altíssimos para pagar juros acumulados. A dívida cresce num ritmo alucinado, beirando já os dois trilhões de reais.

Pior: a taxa oferecida nos títulos da dívida da União provoca inundação de dólares no mercado financeiro de que resulta a valorização indesejada do real. Como conseqüência perdemos competitividade nas exportações.

Mentem os ministros. Um nos diz que vai conter a queda do dólar diminuindo o glamour de nosso mercado financeiro de dez para oito. Que o fizesse para seis, para quatro, e seria inócuo. Na praça global o juro é zero. Ignora o ministro esta obviedade? Como não lhe faço esse desfavor, concluo que mente.

Cai a produção industrial e a balança comercial acusa decréscimo de 30% em um mês. Isto se deve a que os preços das matérias primas que estavam anomalamente majoradas despencam, refletindo a retração da economia na Europa e nos Estados Unidos. O governo sonega esta realidade trombeteando o saldo favorável apurado em um ano.

Nos marcos de tão dura realidade onde fica a esperança? Na força da democracia, em nós, na imprensa livre, na pressão popular que em curto prazo se tornará visível nas ruas, tão pronto como o povo desperte do engodo a que o induziu o populismo reinante. Este conjunto de forças, e somente ele, imporá um processo de regeneração que nos livre de tantos flagelos.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A fala do ministro

Avança o processo de desintegração da base governista, societas criminis montada pelo ex-presidente Lula. Nela foram reunidos inúmeros partidos das mais diversas pelagens cujo único elemento de coesão era o loteamento de cargos. Instituiu-se assim em nosso país uma volta, ainda que grotesca, ao regime feudal. O rei entregava ao nobre, duque, conde ou barão, um feudo para que o explorasse a seu alvedrio. Dependendo da força eleitoral de cada grei, eram distribuídos os ministérios. Alguns pelo sistema de porteira fechada, ou seja, com a totalidade dos cargos. Tão pronto como recebia a carta de propriedade, lançava-se o senhor à faina de saquear. Criava para isso uma alfândega interna, por meio da qual passava a receber tributos de empreiteiras e prestadoras de serviço favorecidas por licitações fraudulentas.

Paradigma do sistema, o Ministério dos Transportes foi o primeiro a desmoronar, não resistindo à erosão constante que a máquina de corrupção vem sofrendo desde os tempos do apocalíptico mensalão.

Ontem seu recém caído titular, retomando assento no senado, fez pronunciamento que em sua quase totalidade merece ser desprezado. Vana verba (palavras vãs) diriam os romanos. Salvo a parte em que afirma ter encontrado majoração de quinze bilhões nos projetos, determinada durante o lapso em que se ausentou para fazer campanha no Amazonas. Entendamos: era titular da pasta interinamente o atual ministro senhor Passos. Quem autorizou a majoração? A ministra da Casa Civil, substituindo a atual presidente que se licenciara para a campanha, era Erenice Guerra.

O ministro Nascimento faz uma clara denúncia. O atual ministro determinou a majoração dos projetos, certamente obedecendo a ordens palacianas, com o único objetivo de obter das empreiteiras recursos para a campanha.

É ingênuo acreditar que a faxina comandada pela presidente possa prosperar por si mesma. Somente o aumento da pressão exercida pelo conjunto de forças que se opõem ao atual descalabro poderá determinar o esfacelamento do esquema. A oposição protocolou ontem pedido de CPI que periclita. O notório corrupto Romero Jucá lançou-se a campo para forçar senadores a retirar assinaturas, o que pode ocorrer até a meia noite de quarta feira. A lista conta com o número mínimo, 27. Já houve duas desistências, uma reconsideração, estamos com 26. A luta continua.

Em tempo: Foram retiradas duas assinaturas e a CPI malogrou. Fica clara a falsidade do Governo em seu propósito de faxinar. Novo requerimento será protocolado. A luta continua.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O blog

Acho que estava louco quando me deixei induzir pelo Edison Bidone e pelo Tiago Meirelles a colocar no ar (no ar?) este blog. Criado o monstro, cumpre alimentá-lo. Escritor de gaveta, trabalho ao acaso, dois romances em andamento, os dois parados. Poemas escritos ao longo da vida e ao longo dela extraviados. De vez em quando me deparo com um, esquecido dentro de um livro, recorte do saudoso Caderno de Sábado do antigo Correio do Povo. Agora não, há um blog no ar, gente freqüentando e... dizer o quê?

Aos sábados tem o Visão Geral com o Muza . É outra coisa. Ali, agrademos ou não, o fato é que a gente se diverte. São charlas descontraídas para as quais não nos preparamos e o que se diz é lastreado na vida. Muza é um grande âncora, sabe como ninguém evitar o “buraco” e em qualquer emergência ele manda botar um samba ou chama os comerciais. Na verdade isso não acontece porque nosso foco principal é a corrupção reinante e, como se sabe, essa é cacimba que não seca.

Mas aqui é outro papo. Trata-se de coisa escrita e pela primeira vez vivo a experiência de produzir para consumo imediato. Estou acostumado a trabalhar textos como quem faz um mosaico. Peça a peça, buscando o melhor encaixe. Ou como quem semeia flores num canteiro. Tempo depois se arrancam os inços e o canteiro melhora em luz, espaço, viço. Mas aqui é emparelhar e soltar como em carreiras de reta.

Assunto que puxa assunto, a ligação às vezes só Freud explicaria, ocorre- me que há no ar um processo de descaracterização de nossa, ia dizer cultura, mas desisto. Essa e outras palavras foram inutilizadas pela “inteligentzia” dominante. Essa é uma vertente que me faz abandonar o que ia dizendo para um desabafo anti-infarto.

Nunca em suas vidas Stanislaw Ponte Preta e o imortal Nelson Rodrigues puderam imaginar que o mar de chavões que nos ameaçava chegaria a isto. Ondão sinistro, mar de mediocridade assassina. Políticas públicas (as há privadas?), construção de projetos, sociedade como um todo, alavancar, passar energia, elite dominante.

Outro viés que assusta é a elevação da notoriedade à condição de bem absoluto. De repente alguém que se tornou conhecido por ter devorado olhos de ovelhas em um desses espetáculos doentes de televisão, transforma-se em emblema e passa a vender a imagem para ser associada a produtos.

Fatos como este nos colocam no limite da suportabilidade. A coisa enfeia de vez se, numa hora dessas, surgir algum desses meninos laureados em publicidade e marketing e tenta lhe explicar, usando a ferramenta da contextualização, que isso é algo normal e positivo. Aí você sente brotar em suas entranhas um furor assassino e sai em disparada rumo ao mato, fugindo de si mesmo. Isto é um papo sem fim. Retomaremos.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Onde estamos metidos?

Há coisas em que não se acredita. Uma delas é a tirada do Sr. Paulo Bernardo, ministro das comunicações. Afirmou que dado o orçamento do DNIT da ordem de 13 bilhões, não eram de cair para trás desfalques de alguns milhões. Fica-se sem saber se o homem é mentecapto ou corrupto.
Assusta imaginar que a banalização do crime contra o erário, por onde contra a pátria, contra o povo, contra os pobres, tenha chegado a um nível tal que um ministro de estado diga o que disse. Ocorre-me agora que, não faz muito, o vice-presidente Michel Temer fez afirmação semelhante.
Onde estamos metidos? Já nosso bizarro ex-presidente afirmou que tudo transcorre no melhor dos mundos, basta tocar a bola para a frente e quando alguém se desviar do caminho é apurar e punir. Como se dissesse: soltamos a cachorrada no rebanho e depois saimos a matá-los campo afora.
Tais e tantas sandices, em qualquer outro cenário, fariam rir. Quando se pensa, porém, que os que as proferem semeiam dor, miséria, abandono, quando se vê a saúde atirada, o povo entregue às mãos dos bandidos, os índices da pátria descendo a padrões de nações flageladas, lágrimas e revolta, não risos, assomam.
Bem mais constrangedor é quando homens probos e reconhecidamente cultos, assumem bandeiras sem qualquer consistência, intrinsecamente débeis, que na prática só fazem desviar a opinião pública da indignação, única fonte da mudança.É o caso do ilustre senador Cristóvam Buarque com seu discurso obssessivo pela educação. Traz ele comparações com a Coréia do Sul, Japão, Ìndia e outras nações desenvolvidas.
Dá a impressão de que o senador desconhece que a educação, tanto quanto a saúde, a segurança, a produção de energia, enfim, toda a atividade do estado, demanda dinheiro. De onde extrair recursos se apesar do oceano que o governo arrecada, lança-se ele na captação por meio da emissão de títulos pelos quais paga juros de 12/5 por cento? Tudo para sustentar um projeto de poder cuja mecânica reles e sórdida reduz-se a uma distribuição debochada de cargos e benesses. Trinta e sete ministérios? Onde estamos metidos?
Batendo na tecla de que priorizar-se a educação é a panacéia, deixa o senador de dizer que o fim da roubalheira e da impunidade são a única via de salvação.