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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Onde estamos metidos?

Há coisas em que não se acredita. Uma delas é a tirada do Sr. Paulo Bernardo, ministro das comunicações. Afirmou que dado o orçamento do DNIT da ordem de 13 bilhões, não eram de cair para trás desfalques de alguns milhões. Fica-se sem saber se o homem é mentecapto ou corrupto.
Assusta imaginar que a banalização do crime contra o erário, por onde contra a pátria, contra o povo, contra os pobres, tenha chegado a um nível tal que um ministro de estado diga o que disse. Ocorre-me agora que, não faz muito, o vice-presidente Michel Temer fez afirmação semelhante.
Onde estamos metidos? Já nosso bizarro ex-presidente afirmou que tudo transcorre no melhor dos mundos, basta tocar a bola para a frente e quando alguém se desviar do caminho é apurar e punir. Como se dissesse: soltamos a cachorrada no rebanho e depois saimos a matá-los campo afora.
Tais e tantas sandices, em qualquer outro cenário, fariam rir. Quando se pensa, porém, que os que as proferem semeiam dor, miséria, abandono, quando se vê a saúde atirada, o povo entregue às mãos dos bandidos, os índices da pátria descendo a padrões de nações flageladas, lágrimas e revolta, não risos, assomam.
Bem mais constrangedor é quando homens probos e reconhecidamente cultos, assumem bandeiras sem qualquer consistência, intrinsecamente débeis, que na prática só fazem desviar a opinião pública da indignação, única fonte da mudança.É o caso do ilustre senador Cristóvam Buarque com seu discurso obssessivo pela educação. Traz ele comparações com a Coréia do Sul, Japão, Ìndia e outras nações desenvolvidas.
Dá a impressão de que o senador desconhece que a educação, tanto quanto a saúde, a segurança, a produção de energia, enfim, toda a atividade do estado, demanda dinheiro. De onde extrair recursos se apesar do oceano que o governo arrecada, lança-se ele na captação por meio da emissão de títulos pelos quais paga juros de 12/5 por cento? Tudo para sustentar um projeto de poder cuja mecânica reles e sórdida reduz-se a uma distribuição debochada de cargos e benesses. Trinta e sete ministérios? Onde estamos metidos?
Batendo na tecla de que priorizar-se a educação é a panacéia, deixa o senador de dizer que o fim da roubalheira e da impunidade são a única via de salvação.