A experiência socialista que se estendeu de 1917 a
1990, com inclusão do leste europeu no pós-guerra e China desde 1949 -
China já vivendo sem qualquer ligação com os postulados marxistas fora a
ditadura - encerrou-se decretando o fim dessa utopia para
sempre. À margem da complexidade que possa explicar as razões do
nascimento e morte da experiência, resta uma verdade palmar, perceptível
pela epiderme, ou, se se quiser, pelo instinto: o ser humano abomina o
socialismo como, de resto, abomina toda e qualquer forma de
coletivização que não seja inspirada na mais completa espontaneidade.
Estas preliminares estão voltadas a demonstrar que a ascensão ao poder por partidos que têm o DNA marxista em seus estatutos dá-se por via da camuflagem. Escamoteiam em seus programas o propósito totalitário. Assim, com pele de cordeiro, chegam ao governo. Mas não prosperam. As políticas que implementam, porque hostis aos mais comezinhos princípios de gestão, levam-nos a fragorosos insucessos.
Por não haver cumprido a etapa da destruição completa do “estado burguês” como pré-requisito da instalação da ordem socialista, conforme preconiza a doutrina, veem frustrar-se a intenção de se perpetuar no poder. Essa é a razão das teses paranoicas anunciadas pelo Partido dos Trabalhadores a ser apresentadas no V Congresso que se avizinha. Esquecidos de que só tiveram importância quando artificialmente
O eixo central em que se lastreia a baboseira é o velho avantesma marxista da luta de classes. Camuflando os conceitos proletariado versus burguesia, a rapaziada fala agora em forças populares a enfrentar um ameaçador avanço dos setores conservadores, reunidos no capital financeiro, mídia reacionária e grupos de direita, como se todos estes setores, no que se alcança a compreender, não estivessem sentados à direita de deus-padre no paraíso populista armado por Lula e seus asseclas.
Estamos vendo cumprir-se algo a que muitas vezes já aludimos: o PT, desfeita a bolha populista que formou em conluio com outras siglas, voltará a ser o que foi em seus primeiros dias: um pequeno partido ideológico com restrita área de influência na palestra política.
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