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quarta-feira, 11 de março de 2015

MOISÉS


Chega a causar dor física o besteirol do senhor Moisés Mendes in “Os golpistas encabulados” Zero Hora, 11, pg.20. O articulista situa a questão do impeachment na opinião de personalidades. Curioso que a Bresser Pereira, Ricardo Semler, Veríssimo, Leonardo Boff, contrapõe a pessoa do senhor Bolsonaro, no vão propósito de que, ao avaliar a importância dos citados, formemos juízo sobre a pertinência ou não do afastamento da presidente. É demais.
Há quase unânime repulsa ao governo que a cada momento vê exposta, em grau crescente, inaptidão administrativa e desmedida sofreguidão por poder e dinheiro. A multidão irá às ruas. Opinião alguma impedirá que levante um clamor pelo afastamento da mandatária.

segunda-feira, 9 de março de 2015

LEITURA IMBECIL

Perdeu-se já na memória dos povos o consenso de que quem governa o faz para todos, descabidas fórmulas que discriminem pobres por ser pobres ou ricos, por ricos. No panelaço que serviu de fundo para a melancólica “fala do trono” de ontem, em cadeia nacional, vislumbrou o comando palaciano atenuante para o vexame no fato que, dizem, o clamor provinha dos bairros de gente abonada. Inspiram- se no fóssil marxista conhecido como “luta de classes”. Esquecem a possibilidade de que aos pobres talvez faleçam forças para gritar. A festa acabou como diz o verso do grande Drummond.

A ANTILISTA

Novo e inesperado contingente assomará na palestra política: o dos não listados. Parlamentares e líderes ficha limpa que, precisamente por essa condição, viam-se alijados dos centros de decisão, emergem agora com insuspeitado capital, com desmedida estatura, com tonitruante voz.
Honestidade, matéria prima essencial para os dias que se avizinham, só quem dela dispuser falará alto.

sábado, 7 de março de 2015

FIM DE UMA ERA


O conjunto de fatos que se desenrolam a partir da operação Lava Jato se constituem na primeira revolução de nosso país. Episódios anteriores, embora de altíssima relevância, - proclamação da independência, abolição da escravatura, república, entre outros- não tiveram a força de alterar matriz cultural consistente no predomínio do poder oligárquico sobre as instituições. O poder, desde o descobrimento, moldou a ordem institucional, desfigurando-a por completo, quando, pressuposto de democracia, é a ordem institucional moldar o poder.
Vê-se neste instante de vertiginosa gravitação social, com a cidadania totalmente desperta, a respaldar a atuação da Polícia, da Imprensa, do MP, do Judiciário, que o processo de regeneração tornou-se irreversível. Força alguma, interna ou externa, será capaz de deter o avanço das investigações a se desdobrarem em denúncias e posterior julgamento. Recuos pontuais e isolados, conchavos, contratempos inerentes a qualquer processo, não terão importância.

sexta-feira, 6 de março de 2015

MUITA CALMA NESTA HORA


Lançar suspeita sobre o MP é realizar o sonho de consumo da bandidagem enredada no Petrolão. Não ter apresentado denúncia contra os suspeitos que gozam de foro privilegiado (excrescência de nosso ordenamento) foi ato de sabedoria e prudência. Afastou a hipótese de recusa por insuficiência de provas. Só há indícios? Abram-se pois as investigações no âmbito do Supremo. Surgem assim novas janelas, novas rotas de investigação, novas delações, mantendo viva a chama da indignação, condição essencial para o avanço.

quinta-feira, 5 de março de 2015

JUREMIR

Se alguém necessita de roteiro para melhor se posicionar a favor dos ladrões que na Petrobras conseguiram realizar o maior escândalo político da história da humanidade, leia no Correio do Povo de hoje, cinco, a coluna de Juremir Machado da Silva.
Extrai-se do texto que o monumental esforço da Polícia Federal, Ministério Público e Justiça do Paraná é um monte de papel viciado, em que favorecimento, perseguição e omissão formam uma pasta informe a impor uma única conclusão: todos os agentes são corruptos e a única forma de se impedir que uns paguem pelo outros, suma injustiça, é deixar tudo como está.
Textos assim têm o poder de inibir qualquer contradita minimamente séria. Não se trata de um ponto de vista, mas de desnudado cinismo que denuncia doença. Atrevo-me a dizer que a adesão aos termos do artigo de Juremir implica secreto desejo de que a impunidade perdure para sempre.

terça-feira, 3 de março de 2015

BRESSER


Inúmeras vezes neste meu “vão discurso humano” (Camões) constatei que erudição, competência técnica, talento nem sempre alcançam a libertar o homem da estupidez.
Luiz Carlos Bresser Pereira, ex-ministro da fazenda, advogado, experimentado político e técnico, homem de letras, professor de renome acaba de afirmar que a marca da turbulência política que agita o país é o ódio dos ricos contra Lula e Dilma.
Confesso que me sinto incapaz de aduzir qualquer comentário vista a magnitude desumana dessa sandice. O que quer que se diga soará pífio, mofino, descolorido ante esse monumento erigido à ignorância.