A palavra lama tem muita força e oferece forte resistência ao desgaste.
Vem às mentes sempre que se avoluma o assalto ao dinheiro público,
embora, para dizer o óbvio, não esteja livre de ser usada de forma
injusta. Mas é interessante observar como analistas, que ainda se
inebriam com o rarefeito e sinistro aroma do cientificismo marxista,
correm a traçar analogias com acontecimentos do passado, para demonstrar
que tudo não passa de velho ardil das elites (antigamente imperialismo
norte-americano) para barrar o avanço das “forças progressistas”. Em
tosco desenho determinista, pretendendo flagrar similitudes, tacham de
lacerdismo a indignação contra a corrupção reinante. Convém lembrar que
Lacerda não era o demônio que pretendem, nem Getúlio o deus que veneram.
Certo, certíssimo, independentemente de qualquer análise, é que a
Petrobras, com a cumplicidade do atual governo está sendo saqueada e
nada justifica a esperança de que as demais estatais também não estejam.
O roubo faz parte do poder; um inglês famoso, lorde Acton, dizia já em 1887 que todo poder corrompe. Rouba-se no Brasil desde quando o Brasil era colônia (D. João 6º, ao voltar para Portugal, esvaziou os cofres do país); roubou-se no mundo comunista (Erich Honneker, o último líder da Alemanha Oriental, acumulou alguns bilhões de dólares), rouba-se no mundo capitalista (Helmut Kohl, que liderou a reunificação alemã, caiu por receber dólares, digamos, não contabilizados). Rouba-se em ditaduras e democracias. Faz parte.
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