Surpreende
o número de pessoas que pretende descarregar no povo a culpa pelo mar de lama
reinante. Antes de nada, lembremos a lição que nos deixaram os nominalistas dos
séculos Xl e Xll. Os universais não têm concretude, expressam apenas uma ideia.
Assim podemos perguntar: que povo? Quem é o povo? O que é povo? A quem se
referem?
Sim
porque povo designa um conjunto e nesse conjunto, concretamente, estão Pedro,
Manoel, Euclides, uma infinitude mais, cada qual com seu modo de ver. Ademais é
palpável que na camorra corrupta encontram-se banqueiros, empreiteiros,
burocratas, proprietários rurais e uma cúpula intelectual que, sem alívio,
trombeteia em favor do governicho infame que nos infelicita.
Assim
sendo, quer nos parecer, com todo o respeito, que pôr a culpa sobre os que têm
menos acesso à informação, e são seduzidos por bondades ilusórias, traz um
ranço elitista que em nada contribui para fortalecer a democracia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário