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terça-feira, 2 de setembro de 2014

POVO E CULPA

     Surpreende o número de pessoas que pretende descarregar no povo a culpa pelo mar de lama reinante. Antes de nada, lembremos a lição que nos deixaram os nominalistas dos séculos Xl e Xll. Os universais não têm concretude, expressam apenas uma ideia. Assim podemos perguntar: que povo? Quem é o povo? O que é povo? A quem se referem?
     Sim porque povo designa um conjunto e nesse conjunto, concretamente, estão Pedro, Manoel, Euclides, uma infinitude mais, cada qual com seu modo de ver. Ademais é palpável que na camorra corrupta encontram-se banqueiros, empreiteiros, burocratas, proprietários rurais e uma cúpula intelectual que, sem alívio, trombeteia em favor do governicho infame que nos infelicita.
     Assim sendo, quer nos parecer, com todo o respeito, que pôr a culpa sobre os que têm menos acesso à informação, e são seduzidos por bondades ilusórias, traz um ranço elitista que em nada contribui para fortalecer a democracia.
 

 

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