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segunda-feira, 10 de março de 2014

FRIBOI

Há algo podre no reino da Dinamarca, declamou o atormentado príncipe shakespeariano, ao farejar a trama que vitimara seu pai. Há algo podre por aqui, repito eu, eis que sinto um odor repugnante que não me parece ser de carne arruinada.
 
Roberto Carlos, décadas a fio, manteve imagem cuidadosamente cultivada de menino bom, certinho, escrínio de alcandoradas virtudes, no empolado linguajar laudatório de décadas passadas. Como uma espécie de enfeite do prato que o marketing vem servindo vida afora, proclamava a condição de vegetariano, ao que parece, porque respeitava a vida de nossos irmãos ditos irracionais. De repente catapluft.

Aparece o astro, por segundos, declarando-se seduzido por um belo bife e, meio desengonçado, murmura a marca do produto que lhe estão servindo. Dizem, e vou me permitir trabalhar sobre a hipótese, que recebeu vinte e cinco milhões pela figuração.

Parece de evidência solar que essa quantia, ou algo que lhe seja aproximado, jamais se converterá em ganhos para o anunciante, pelo menos em montante que a justifique. Se assim não é, somos obrigados a concluir que a humanidade é mais, infinitamente mais estúpida do que se imagina. O fato de uma estrela da música popular, em quatro segundos, desencadear um incremento de vendas que justifiquem o emprego de quantia superior à instalação de uma planta industrial? Ponho-me no lugar de alvo do reclame. Não posso conceber que alguém se decida por uma marca de carne porque o “rei” dela aproximou sua imagem.

Algo que sequer alcanço explicar está por baixo dessa pantomima. Vinte e cinco milhões para o Roberto Carlos murmurar o nome Friboi, assim mesmo com um sorriso estranho, de quem comeu e não gostou? Por baixo desse arroz...

 

 

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