Começa a ruir a construção sem alicerces que uma oligarquia corrupta erigiu com a finalidade única de roubar. Nenhum dos mecanismos de autodefesa usados pela máquina de corrupção se mostra eficiente. Já não há blindar autoridades caídas nas malhas da Imprensa e do Ministério Público. Escasseia o recurso para manter silentes os deputados, com a liberação das famigeradas emendas ao orçamento e, remate de males, encolhe-se a oferta irresponsável de crédito que mantinha a ilusão de Brasil grande e rico.
Os “movimentos sociais” mantidos com o recurso do erário, com a finalidade de angariar prosélitos, começam a se esgarçar, porque é impossível manter pessoas em torno de uma farsa. Ainda hoje 40 mil mulheres trazidas de todos os confins do Brasil em comboio de 800 ônibus reuniram-se frente ao palácio do Planalto para “trazer reivindicações” em favor de integrantes da Agricultura Familiar. A presidente com chapéu confeccionado pela dirigente do grupo encarnou, muito mal, um papel que misturava Eva Perón com Chapeuzinho Vermelho. Não chegou ao fim sua arenga sem que a audiência ficasse quase deserta. É que seu discurso elencava benesses não sentidas e promessas que não seduzem. Os pelegos que organizaram a marcha participam da farsa, as mulheres não.
Chega-me a esta altura a notícia de que caiu o Ministro da Agricultura, malgrado o total apoio que lhe emprestava a Presidente. Torna-se cada vez mais visível a falsidade do papel de condutora da faxina que lhe querem atribuir. Claro está que não faz sentido, de momento, jogar pedras em Dilma Roussef. Seria no mínimo um trabalho diversionista, isto porque muita gente que lhe empresta o papel de saneadora age de boa fé e engrossa as filas da indignação. Importa reforçar o clamor pela instalação da CPI da Corrupção. A internet vai trazer grande reforço, mas nada pode dispensar nossa presença nas ruas. Vamos para a rua? Eu e o Luís Carlos Deibler estamos pensando em algo que pode começar por um ponto de encontro em uma de nossas praças. Sejamos dois, três, quem sabe quatro, não importa. Somos de Bagé e esta é a terra onde grandes coisas começam do pouco.